Escola como espaço da amizade e conflito
  • Escola Projeto 21
  • 28/05/2026
  • 0 Comentário

Escola como espaço da amizade e conflito

Dentre as inúmeras definições de escola, hoje queremos compartilhar uma que nos parece muito bacana, da pedagoga Catarina Gonçalves: “um importante laboratório social, espaço propício para que as aprendizagens aconteçam no âmbito das relações.”

Laboratório é um pouco estranho, mas também fascinante, naqueles moldes mesmo de espaço de “invencionáticas”, pra dar a isso uma cor poética. Mestre e doutora em educação, Catarina é professora da Universidade Federal de Pernambuco, onde pesquisa temas ligados ao desenvolvimento da moral. E é nesse sentido que ela nos ajuda a entender o espaço escolar como a primeira instância democrática na vida das crianças. Ou seja, em suas palavras, “Aprender a conviver, a respeitar o outro e a fazer amigos é um compromisso que se firma na escola. O convívio cotidiano com os colegas coloca diversos desafios às crianças: esperar, negociar, perder, considerar outros pontos de vista, respeitar as diferenças, e, também, identificar-se, cuidar, posicionar-se, importar-se, cooperar.”

A escola alarga os horizontes em relação ao convívio familiar, a criança se depara com um outro que, de fato, é diferente de si. Ao conviver com o diferente, ela tem a oportunidade de descentrar-se, de ter empatia com aquele que não gosta das mesmas coisas que ela, ou não age (ou não reage) das mesmas formas.”

Existe uma famosa canção do rapper e compositor brasileiro Emicida que diz “quem tem um amigo tem tudo”. E é lindo pensar assim! Sem esquecer, porém, que o “tudo” também inclui o que é difícil. E a gente bem sabe que a experiência de crescer não está apartada de uma experiência dolorosa.

Mesmo em atividades cuidadosamente planejadas para as aprendizagens diversas – e isso passa tanto por assimilar um conteúdo difícil, travar no meio de uma tarefa, sono no horário de estudos, chorinho na entrada da escola… e, no convívio com os colegas.

Sendo seres sociais, nossa subjetividade e identidade são também construídas pelas relações e compartilhamento de experiências com os nossos colegas. Com amor, com conflito, com tudo!

Em entrevista para o portal do Centro de Formação da Vila, Catarina nos lembra que somos seres complexos, e ter um amigo não é apenas ter alguém para brincar: é aprender a lidar com uma pessoa real, que tem defeitos, vontades próprias e que, em algum momento, vai nos frustrar. “Na escola, as crianças não podem descartar umas às outras, elas seguem na interação, e essa experiência é estruturante. Aprender a ser um bom amigo – e manter amizades – requer tempo e reiteração, e todos têm o que aprender com os conflitos.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *