Há 40 anos buscando desenvolver o pensamento crítico por meio da nossa proposta construtivista
  • Escola Projeto 21
  • 08/02/2026
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Há 40 anos buscando desenvolver o pensamento crítico por meio da nossa proposta construtivista

Como é possível formar pessoas com pensamento crítico? Nem em 2016 nem agora, 2026, temos respostas. Tampouco a tínhamos em 1985, quando fundamos a escola.

De todo modo, ao longo de todo este tempo, o pensamento crítico sempre foi um dos pilares do nosso ideal de educação. E, olhando em retrospecto, felizmente podemos dizer que conseguimos!

NOSSO TRABALHO NA ESCOLA visa a construção da autonomia intelectual e moral, que é a capacidade de pensar por si mesmo, de examinar cuidadosamente uma situação para assumir uma posição responsável, fruto de uma forma de pensar ponderada. E o desenvolvimento do senso crítico é o caminho para isto. Como, então, articular na dinâmica escolar a possibilidade de construir o senso crítico levando cada um a uma prática de pensamento autônomo?

[…]Remando contra a maré que inunda a nossa sociedade com a força do pensamento único ou da superficialidade dos comentários que vêm expressos nas mídias, nossa escola luta sim para proporcionar a construção do pensamento crítico. Leva tempo. É preciso sermos persistentes. Mas acontece.

[…] É produtivo pensar sobre o senso crítico considerando dois aspectos que os validam e atestam sua importância: que ele está sempre na disposição de superar o senso comum e que, apesar de nos esquecermos disso, o senso crítico é a base do conhecimento científico.

É o senso crítico que nos empurra a superar certezas sensíveis, examinando suposições, avaliando evidências e apurando valores, derivações. Não se espera que crianças ou mesmo adolescentes possam alcançar altos níveis de reflexão, mas o fundamental é o ensino do caminho, das estratégias, de como é possível se construir isso. Na dinâmica de uma aula dialogada, na leitura de um texto literário, na busca de resolução de problemas se faz o caminho. E, assim, vai-se desenvolvendo a capacidade para um pensar mais elaborado.

Que alegria olhar-nos no espelho e perceber como nossas raízes seguem firmes! Ainda que o mundo das “mídias”, como nos referíamos lá atrás, tenha mudado imensamente… Mas, como possibilitar o ensino desse caminho?

Abaixo alguns exemplos que acontecem no nosso dia-a-dia, por exemplo na Educação Infantil:

As longas discussões que buscam explicitar diferentes formas de raciocínio para se alcançar a resposta a um problema acontecem desde muito cedo. Nas turmas de Educação Infantil já se pede que as crianças contem como pensaram, pois a verbalização é elemento fundamental para evidenciar as diferentes formas do pensamento.
Poder distingui-las é tarefa a ser destacada pela professora, evidenciando claramente os passos para ensinar a pensar de distintos modos. Avançar para além da visão primeira, além do senso comum é meta, meta para a vida toda.

No Fundamental, ao lermos com os estudantes críticas de cinema, artes visuais, literatura, games… também estamos fomentando o senso crítico. Se consideramos que ao fazê-las os seus autores mobilizam anos de estudo, pesquisa e conhecimento sobre o que está sendo resenhado para empregar critérios objetivos e subjetivos com a finalidade de dar o seu crivo e delimitar o sentido de uma obra, nós, como leitores/espectadores, sem dúvidas, podemos discordar de suas interpretações. Isso pois o principal a ser ensinado nesta atividade é:

[…] ao considerar uma obra feia ou bonita não estão em jogo
ferramentas críticas válidas para o entendimento da obra, mas
sim de fruição aliada a uma tendência natural de julgar, através de ferramentas que comparam a obra ao gosto pessoal. Esta impressão
corresponde a uma experiência individual e está condicionada ao
repertório cultural que a pessoa acumulou.

Assim, ler crítica de arte – de cinema, literatura, música, teatro – é um procedimento riquíssimo de formação crítica. Este tipo de exercício é uma oportunidade didática rigorosamente planejada para que os alunos coloquem em prática alguns desses procedimentos, às vezes separados em itens, às vezes costurados num texto. O mesmo acontece com os muitos momentos de apreciação de produções em diversas áreas: um desenho ou pintura em Artes, uma análise em História, um conto em Língua Portuguesa, diferentes versões oudescrições de um fato científico – oportunidades de exercitar o olhar de crítico, em diferentes idades, e colocar em uso suas ferramentas.

Falando em olhar, finalizamos com outro trecho do Nanico, desta vez em 2009, quando republicamos um artigo da filósofa Márcia Tiburi, para nos instigar

“Ver é reto, olhar é sinuoso. Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é
imediato, olhar é mediado. A imediaticidade do ver torna-o um evento objetivo. Vê-se um fantasma, mas não se olha um fantasma. Vemos televisão, enquanto olhamos uma paisagem, uma pintura.”

Autora: Yara Amaral

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